quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Um branco, um xis, um zero

Cássia Eller

Estranho é que eu conheci a Cássia Eller na Continental FM. Minha mãe ouvia e de vez em quando aparecia a voz da Cássia na versão original de Malandragem (95, 96 ou 97... Beeem antes do Acústico MTV). Lembro que minha comentou que ela gostava de mulheres. E logo tratou de me ensinar que demais cantoras da MPB também eram assim. Acho que meu primeiro contato com o mundo Gay se deu através da música. Acredito que os artistas colaboram bastante para a mudança de pensamento em relação à diversidade de orientação sexual.

E depois veio O Segundo Sol. Acho que a partir daí que comecei a gostar dessa garotinha. Teve um especial da Globo – juro! – em que ela cantou a música ao lado do Nando Reis. E lá estava ela com cabelo bem curto, vestida de gurizinho, cantando horrores mesmo no playback ridículo das emissoras de TV.

Até então, nunca tinha ligado Cássia Eller ao rock and roll. Porque o que eu conhecia eram apenas duas músicas. Nunca - até este dia - tinha a visto em cena. Apenas conhecia a voz, pelo rádio. Quando gravou o acústico e sua imagem invadiu a telinha da globo e da MTV - na frente da qual eu parava as tardes inteiras - eu me rendi de fato ao trabalho dela. Aquela presença de palco, de fazer um furacão no meio da nossa sala, é hoje do que sinto mais falta.

Pelo azar do destino - e pela confoirmação da máxima de que os bons morrem cedo - a Cássia Eller deixou todos nós com muitas saudades em 2001, no auge do sucesso, quando foi vítima de três paradas cardíacas. Minha mãe veio me avisar. E eu chorei. Mamonas e Cássia foram artistas que me fizeram chorar.

Foi através do acústico - que ganhei de aniversário da minha prima Mana - que comecei a vasculhar a obra. E através da Cássia, conheci outro fanático por ela, meu amigo Renan Miguel, lá de Astorga, no Paraná, que tinha um Fotolog sobre ela. Li a biografia, comprei o DVD, e tenho quase todos os CD’s.

Cássia começou a carreira em Brasília, cruzava pelas ruas com um tal de Renato Manfredini - ou Russo, como ficou mais conhecido depois - e tocava num bar assiduamente, arrastando multidões para a época e para a cidade. A dona do bar, seguidamente, era assediada por quatro garotinhos, que tentavam tocar ali também. Os mesmos que depois ficariam conhecidos como "Raimundos".

A Cássia foi responsável por eu entender - de uma vez por todas - que não importa quem você ama, não importa a maneira como você age ou como você se veste. Importa quem você é e no que você contribiu para o mundo. Fazer coisas boas é o que importa, seja na música brasileira ou no seu dia-a-dia de simples mortal que toca sua viola sozinha no quarto. Cássia era rock and roll, colega. Muito rock and roll.

Um comentário:

Renan Miguel disse...

Nossa eterna Cássia! Mais uma coisa que eu tenho a agradecer a ela: ter conhecido você!