quarta-feira, 28 de setembro de 2011

CNJ


Era a depravação total. Misturando o rock e o funk com uma ousadia de alta voltagem e letras bem abusadas. A guitarra de Mr. Fredi Endres, ainda que plagiasse riffs conhecidos, era ligada a potentes amplificadores ou pedais ou sei lá o quê. O fato é que o ao vivo da Comunidade Nin-Jitsu era uma avalanche sonora. E uma aula de ginástica. 

A primeira pedra que ouvi foi Quero te levar. Mas, na época, não sabia quem era a banda, só achei a letra engraçada (“...Sou igual a Bob Marley, uma trepada e um bebê...”). Acho que quem me apresentou foi meu primo Gui. Lembro dele escutando o RAP dos 9 meses no rádio da Marajó do dindo.

Logo, a figura libriana de Mano Changes entrou para nossas conversas do colégio. Nas festinhas, entre um axé e outro, a gente trovava o DJ e lá tocava um Detetive alto e sem vergonha. Então, veio o segundo álbum, Maicou Douglas Syndrome, ainda mais sacana. Eu e a Cacá compramos nossos CD’s e decoramos as letras. Época em que eu comprava CD! Veja só. Arrastão do amor, Ejaculação Precoce, Ah! Eu tô sem erva...

Aí a mesma coisa: virou queridinho da galera, começou a tocar mais nas FM’s... E o terceiro disco veio assim... Devendo... Confesso que não cheguei a ouvir todo o álbum, porque, na época, eu tava mais rockabilly, curtindo o rockafull, rock bandido, saca? E a mistureba do rockafunk ficou meio de lado. Mas as faixas dos morenos são carta marcada no meu Mp3. Porque o borogodó do ex-deputado libriano Mano Changes era grande presença.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Tequila Baby



Duda Calvin
É, foi com Sexo, algemas e cinta-liga, como foi com muita gente que conheceu o Punk Rock da Tequila Baby no final dos anos 90’s. Só não lembro bem o dia, a ocasião. Mas foi em algum CD do meu primo Julio. É foi isso. E, um dia, quando em um churrasco ele levou seus CD’s lá para casa, meu primo Léo me ajudou a gravar um K7 contendo também as pedras Tira o sutiã, tira a calcinha e Quando eu entrar na sua vida. As outras pedras vieram quando a Rê comprou o primeiro CD. A minha menina, 2x2, Balada Sangrenta...

Tocava nas festinhas do colégio, quando a gente trovava o DJ entre um axé e outro. Meia dúzia de colegas conheciam. E eu sonhava em um dia saber tocar aquela porrada de som no violão ou na guitarra que sonhava em ter. O segundo CD veio melhor ainda. Velhas fotos foi a faixa escolhida para o carro de som que veio me visitar no 13 de outubro - meu aniver rockapunk. 14 anos e Duda Calvin fazendo barulho lá na frente de casa.


Tequila Baby - 1° Álbum
Sangue, ouro e pólvora - 2° Álbum

Sangue, ouro e pólvora, Sexo H.C., Naturalmente artificial, Chovendo corações pela cidade... E consegui um CD ao vivo, com as faixas do primeiro e do segundo CD, que cometi o erro de emprestar. Quando ficava sozinha em casa, jorrava tequila pelas janelas. Uma vez, na igreja do bairro, a banda do irmão de uma colega estava tocando Tequila (é, o padre não devia prestar atenção na letra). Fiquei lá assistindo.

Os outros trabalhos do quarteto, depois de mudanças na formação, não me chamaram muita atenção. A coisa foi ficando meio moda, as FM’s gostaram... Aquela coisa, neguinho que nem sabia de onde vinha o punk rock fazendo cara de mau e roda punk. Ou eu que já tinha crescido. Não sei. Mas Ontem ou agora e Seja com o sol, seja com a lua eram massa. Até hoje, Sexo, algemas e cinta-liga é mortal no meu violão. Foi assim que a Tequila Baby entrou lá em casa, fez um furacão na minha sala e sumiu como o Cd ao vivo que emprestei. One, two, three, four...


"...Já sei até o que eu vou dizer
Quando eu entrar no seu quarto
Quando eu entrar no seu quarto
Tira a roupa e feche a porta, meu amor
Tira a roupa e feche a porta, meu amor
E deixe o sol entrar no seu quarto
E deixe o sol entrar no seu quarto
E deixe o sol entrar no seu quarto
E deixe o sol entrar no seu quarto..."
[Quando eu entrar na sua vida - Tequila Baby]


Vórtex - Lembra a história daquele K7, com rocks gaúchos que o Gui me emprestou? Lá tinha outra pedra do punk rock: Chá de cogu, do Vórtex. Não sou exatamente fanática pelo punk, mas há nele alguma coisa que me chama muita atenção, em músicas específicas. Não gosto de tudo dos Ramones, mas gosto dos Ramones, entende? E assim é com o punk: não gosto de tudo que é punk rock, mas gosto de punk rock. Chá de cogu, além de baita som, tem uma letra engraçada. Nada correta, óbvio, mas por isso mesmo é punk, né? E foi assim.


quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Rosa Tattooada




Era um dos sons daquele K7 cheio de rocks gaúchos que o Gui me apresentou. A mesma fita que tinha Amigo Punk, Chá de Cogu e outras pedras. Eram duas faixas da Rosa Tattooada: Tardes de outono e O inferno vai ter que esperar. Que, por sua vez, são dois clássicos obrigatórios.

São duas músicas tristes. Mas Tardes de outono bem mais. O inferno vai ter que esperar, pelo menos, tem um final feliz. Era o tipo de música que tocava de madrugada, em tardes de chuva. E, quando eu vi os caras na TV, no Radar – programa de rock and roll da TVE – achei muito doido aquelas tatuagens, as guitarras... Hoje, a mesma cena me passaria despercebida. Mas, naquela época, tudo significava alguma coisa.

Depois, os caras lançaram mais um álbum, que tinha Carburador e Diamante interestelar. Sim, as duas são boas e me lembram bons tempos também. Aprendi a tocar O inferno vai ter que esperar quando a Cacá fez a gentileza de imprimir uma pá de cifras da internet. Devo meu repertório de rock gaúcho a ela. Agora, me dei conta de que preciso agradecê-la. 

Uma vez, quando atravessava a Av. Independência, no centro de Porto – dei de cara com o vocalista. Com suas tatuagens e as roupas pretas. Eu não usava mais as unhas pretas, mas ainda tinha os anéis de prata e todas as lembranças daquele tempo de rock and roll. Foi um flashback hard rock. E foi assim.



Acústicos e Valvulados




Formação dos três primeiros álbuns:
Rafael, Móica, P.James e Roberto

Acho que a primeira vez que ouvi foi no rádio. Fim de tarde com você foi a primeira pedra. Tinha 12 anos, era uma fase muito boa. Estava descobrindo o tal de rock and roll. E a música fazia eu lembrar de muitas coisas. Queria aprender a tocá-la no violão, queria ir a um show dos caras.

Quando ganhei meu rádio – que tocava CDs! – o primeiro CD que comprei foi dos Acústicos e Valvulados. Meu dindo quem me deu de presente. Ouvi até quase furar o disco. Tinha toda aquela coisa de ler o encarte... Coisa que nossos Mp3 não permitem mais. Gosto muito de Falando com céu, que pouco toca no rádio, e também Noutro Lugar. Mas o álbum inteiro é bom.

O segundo trabalho veio mais pesado. E tem a Milésima canção de amor, que eu coloco entre uma das melhores do tal rock gaúcho. Suspenso no espaço rodava sem parar no meu rádio. Remédio... E o que gosto na banda, além do rock and roll, são as letras pouco óbvias de Mr. Paulo James.

O que eu não sabia é que aquela versão rock and roll de Minha fama de mau – que meu primo Júlio colocou em uma noite de pizzas em sua casa – era dos Acústicos. Depois, descobri que o primeiro CD dos caras era todo em inglês, cravado no rockbilly, um Stray Cats dos pampas. 

Primeiro álbum - God bless your as
No terceiro CD, o rock and roll continuava. E eu estava na saída do Ensino Médio. Mas a gurizada estava em outra. O rock meloso do Reação em Cadeia abocanhou as paradas e o bom e velho rock bandido perdeu um pouco de espaço.

Esse ano, a banda lançou um novo CD e pude conferir um show solo de Sr. Malenotti, em Esteio. Foi muito bom reviver todas aquelas canções, levar um autógrafo e ainda alcançar uma taça para o cantor colorado. E, em 2005, no aniversário da rádio Unisinos, curti um show inteiro dos caras. Não quero ser uma rockeira saudosista. Mas era bom.



quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Um branco, um xis, um zero

Cássia Eller

Estranho é que eu conheci a Cássia Eller na Continental FM. Minha mãe ouvia e de vez em quando aparecia a voz da Cássia na versão original de Malandragem (95, 96 ou 97... Beeem antes do Acústico MTV). Lembro que minha comentou que ela gostava de mulheres. E logo tratou de me ensinar que demais cantoras da MPB também eram assim. Acho que meu primeiro contato com o mundo Gay se deu através da música. Acredito que os artistas colaboram bastante para a mudança de pensamento em relação à diversidade de orientação sexual.

E depois veio O Segundo Sol. Acho que a partir daí que comecei a gostar dessa garotinha. Teve um especial da Globo – juro! – em que ela cantou a música ao lado do Nando Reis. E lá estava ela com cabelo bem curto, vestida de gurizinho, cantando horrores mesmo no playback ridículo das emissoras de TV.

Até então, nunca tinha ligado Cássia Eller ao rock and roll. Porque o que eu conhecia eram apenas duas músicas. Nunca - até este dia - tinha a visto em cena. Apenas conhecia a voz, pelo rádio. Quando gravou o acústico e sua imagem invadiu a telinha da globo e da MTV - na frente da qual eu parava as tardes inteiras - eu me rendi de fato ao trabalho dela. Aquela presença de palco, de fazer um furacão no meio da nossa sala, é hoje do que sinto mais falta.

Pelo azar do destino - e pela confoirmação da máxima de que os bons morrem cedo - a Cássia Eller deixou todos nós com muitas saudades em 2001, no auge do sucesso, quando foi vítima de três paradas cardíacas. Minha mãe veio me avisar. E eu chorei. Mamonas e Cássia foram artistas que me fizeram chorar.

Foi através do acústico - que ganhei de aniversário da minha prima Mana - que comecei a vasculhar a obra. E através da Cássia, conheci outro fanático por ela, meu amigo Renan Miguel, lá de Astorga, no Paraná, que tinha um Fotolog sobre ela. Li a biografia, comprei o DVD, e tenho quase todos os CD’s.

Cássia começou a carreira em Brasília, cruzava pelas ruas com um tal de Renato Manfredini - ou Russo, como ficou mais conhecido depois - e tocava num bar assiduamente, arrastando multidões para a época e para a cidade. A dona do bar, seguidamente, era assediada por quatro garotinhos, que tentavam tocar ali também. Os mesmos que depois ficariam conhecidos como "Raimundos".

A Cássia foi responsável por eu entender - de uma vez por todas - que não importa quem você ama, não importa a maneira como você age ou como você se veste. Importa quem você é e no que você contribiu para o mundo. Fazer coisas boas é o que importa, seja na música brasileira ou no seu dia-a-dia de simples mortal que toca sua viola sozinha no quarto. Cássia era rock and roll, colega. Muito rock and roll.