sexta-feira, 8 de julho de 2011

Los Hermanos



Esses são noventistas aos 45 do segundo tempo. No verão de 99, Ana Julia veio como um tanque de guerra, arrastando os top teen das rádios brasileiras com aquele refrão de duas palavras e três acordes. E eu fiquei musicalmente frustrada por não conseguir tocá-la na época.

Eu estava na praia com minha mãe e tocava de hora em hora. Meus amigos tocavam no violão, os caras apareciam na TV. Era Los Hermanos para tudo que era lado. Entretando, os caras, apesar de cariocas, nada tinham a ver com o verão e eram o extremo oposto do que despontava no Rio de Janeiro da época. Em nada lembravam a dupla d’O Rappa e do Planet Hemp. Uns barbudos muito mais pra João Gilberto do que para rock and roll.

Entretanto, passada a febre veranística de Ana Julia, os caras de revoltaram com a canção. Ela tinha virado comercial demais para a banda “de esquerda”. Então, os caras deram uma repaginada e passaram a ser mais cult, mais over sistem, mais underground, mais... Isso aí.

Então, outra vez eles me ganharam quando lançaram Cara estranho. E depois veio O vento, na minha época de Jornalismo no IPA. Na época, os mesmos críticos que debochavam de Ana Julia passaram a se render pelos barbudos que usam acordes dissonantes. E os caras entraram para a listas dos top heads. E de lá não saíram mais.

"...Não te dizer o que eu penso
Já é pensar em dizer..."
[O vento - Los Hermanos]

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