segunda-feira, 11 de julho de 2011

Velhas Virgens, baby!



Rock and roll alcoólatra, safado e sem vergonha. Assim dá para definir o som das Velhas Virgens, banda paulista do bom e velho rock and roll bandido e tarado. Letras bem humoradas e guitarras pesadas sem muito nhem-nhem-nhem fazem parte da coleção de pérolas do grupo.

Descobri com Abre essas pernas, baita blues sem vergonha e original. Só o nome da banda já chama atenção. Depois, amei Minha vida rock and roll, Beijos de corpo e Essa tal de tequila. Em um dos meus aniversários, ganhei da minha amiga Cacá o CD Com a cabeça no lugar. Minhas preferidas do disco são Se Deus não quisesse, Enfia ni mim, Um homem lindo, Tô correndo e Quase famosos. Velhas Virgens faz lembrar minha amiga Rê. Velhas Virgens é muito massa.

Trinca Paulista do SK8


Era a época em que os desavisados achavam que “Charlie Brown” era o nome do Chorão e não da banda santista. Probida pra mim foi a primeira pedra, que eu ouvi no antigo “H”, programa do Luciano Huck na Bandeirantes. E lá estava Sr. Alexandre - vulgo Chorão - com os bermudões e seus “Yeah’s”. Naquele ano, a turma do skate veio com tudo. E o Charlie Brown veio com o Ska, o Reggae e o Harcore. Bons tempos. Antes dos caras ficarem chatos.


E tinha também o Tihuana, antes de enfiar o pé na jaca vendo Gnomos. Os caras tinham um trabalho bacana, com muita porrada na bateria e pauladas na guitarra. E isso na époica em que Tropa de elite nada tinha a ver com o sucesso do cinema brasileiro. Tihuana, assim, em um trocadilho mais audacioso, era o nosso Limp Biskit. E eu curtia, maluco.

Ainda dentro da trinca paulista dos anos 90, mas já pisando fora da trupe do skate, com um pé meio no surf, chegou a rapaziada dos Virgulóides. Mas isso bem antes das duas bandas citadas acima. E foi o tipo da banda One Hit Wonder, quando estourou Bagulho no bumba, uma espécie de samba com rock and roll. No melhor estilo fora-da-lei. Cantava com meus primos, e até hoje neguinho repete que acha que “obagulho é de quem tá de pé”.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Até a última ponta


O Planet Hemp entrou lá em casa dizendo “Eu canto assim porque fumo maconha”. É, sem rodeios mesmo. Meio rap, meio rock, meio bagunça, chapado e meio. Hoje, eu acharia muito exagerado talvez. Mas na época, era o máximo de subversão que poderia haver.

Não lembro bem quem me apresentou. Sei que aprendi as letras rapidinho. Tinha uns 12 anos. Fase boa. Não era só a letra falada, era o som, maluco! Tinha guitarra, bateria... Não era o RAP dos Racionais. Era rock bandido brazuca. Rock malandro carioca. 

Queimando tudo foi a primeira pedra. Lembro que a seguna foi Mantenha o respeito, apresentada pelo meu primo Léo. Depois, veio Contexto e o Planet acabou. Até gosto da carreira solo do D2. Mas o Planet Hemp - sem querer ser saudosista como ficam todas as rockeiras chatas e xiitas - tinha algo de especial. Sei lá. Misturavam alguma coisa boa naquela erva.

O Rappa



Uma banda que eu respeito. Quase na mesma linha do Planet Hemp, mas os caras eram mais adultos, preocupados com mais coisas, com a questão social e não apenas com a discriminalização da maconha. Além disso, O Rappa tem uma banda e tanto, que joga no rock, no reggae e com elementos da música black. Sim, e com muita malandragem carioca, mermão.

Quando nos meus 12 anos, eu ouvi a letra de Minha Alma, na beira do meu rádio toca-discos, dentro do quarto, fiquei muito empolgada. “Não me deixe sentar na poltrona no dia de domingo”. Tinha poesia, ritmo e a letra é um tapa na cara, trazendo a dúvida sobre “as grades do condomínio”. Depois, descobri Hey Joe.

O que sobrou do céu é a minha preferida.  Seguindo o destino de toda banda que tem estrada, o Rappa foi amadurecendo, ficando bom, até virarem os queridinhos da MTV. E aí começou a ficar meio chato. Como recentemente aconteceu com Marcelo D2. Mas é uma baita banda, marcou minha vida e por isso merece estar aqui no Rock História.

"...O som das crianças brincando nas ruas
Como se fosse um quintal
A cerveja gelada na esquina
Como se espantasse o mal..."
[O que sobrou do céu - O Rappa]

Los Hermanos



Esses são noventistas aos 45 do segundo tempo. No verão de 99, Ana Julia veio como um tanque de guerra, arrastando os top teen das rádios brasileiras com aquele refrão de duas palavras e três acordes. E eu fiquei musicalmente frustrada por não conseguir tocá-la na época.

Eu estava na praia com minha mãe e tocava de hora em hora. Meus amigos tocavam no violão, os caras apareciam na TV. Era Los Hermanos para tudo que era lado. Entretando, os caras, apesar de cariocas, nada tinham a ver com o verão e eram o extremo oposto do que despontava no Rio de Janeiro da época. Em nada lembravam a dupla d’O Rappa e do Planet Hemp. Uns barbudos muito mais pra João Gilberto do que para rock and roll.

Entretanto, passada a febre veranística de Ana Julia, os caras de revoltaram com a canção. Ela tinha virado comercial demais para a banda “de esquerda”. Então, os caras deram uma repaginada e passaram a ser mais cult, mais over sistem, mais underground, mais... Isso aí.

Então, outra vez eles me ganharam quando lançaram Cara estranho. E depois veio O vento, na minha época de Jornalismo no IPA. Na época, os mesmos críticos que debochavam de Ana Julia passaram a se render pelos barbudos que usam acordes dissonantes. E os caras entraram para a listas dos top heads. E de lá não saíram mais.

"...Não te dizer o que eu penso
Já é pensar em dizer..."
[O vento - Los Hermanos]

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Mangue Beat


Foi um movimento da turma do Recife. Quem disse que o Nordeste só tem guitarra em trio elétrico? Chico Science e a Nação Zumbi colocaram o Brasil na roda para o mundo ver. Maracatu atômico é a minha preferida. É uma mistura de guitarra com tambores, com sotaque bem de Recife. 

Entretanto, meus preferidos do Mangue Beat são a gangue do Mundo Livre S/A. Mesmo sendo socialistas, contra o sistema, as grandes cooporações... Não que eu seja adepta, mas todas essas palavras ditas com sotaque nordestino ficam poeticamente agradáveis. Conheci a trupe através da Ipanema FM. Melô das Musas, Meu esquema e Minha galera são minhas preferidas. Apesar de andar muito mais pro lado da MPB, os caras do Mundo Livre são, em atitude, muito rock and roll. 

A turma de Minas



Nos anos 1990, o pop se apoderou um pouco do rock, ou o contrário. O fato é que os guitarristas mineiros começaram a tocar um refrão pegajoso e com uma batida cheia de pimenta malagueta. Foi assim com os três queridinhos de 1993: Skank, Pato Fu e Jota Quest.
  
O Skank foi um dos primeiros que descobri, apesar de não ter sido em 93. Fui ligar o nome ao som lá por 95, 96, quando estourou Garota Nacional. E no ano 2000, com a Balada do Amor Inabalável, tive a trilha sonora da minha sétima série. Com o Ao Vivo MTV, me derretia ouvindo Resposta, que é de autoria do Nando Reis. Vou deixar veio na sequência, junto com Formato Mínimo. Sim, é bem pop. Mas, ah... É bom...

A mineirada do Pato Fu trazia a suavidade da voz da Fernandinha Takai, mas nem por isso era menos rock and roll. Na verdade, das três bandas, a mais rock and roll me parece ser o Pato Fu. Conheci com Depois. E amo Perdendo dentes, Nada pra mim, Por perto e Imperfeito. Lembro de um show, quando uma operadora de celular chegou a RS e promoveu, em que eles se apresentaram depois do Ultramen e antes do Barão. Estava com a minha mãe e ela quis vir embora antes do Barão Vermelho entrar. Triste isso, rapazes! Eu tinha 12 anos.

O Jota Quest entrou no meu setlist com Fácil. Mas a banda demorou para me pegar de jeito. Hoje, respeito e gosto bastante. Mas confesso que demorei a me render aos garotos. Sempre Assim tem um balanço muito massa. E as lentinhas deles, como O que eu também não entendo, foram importantes em algumas épocas. São três bandas dos meus 12 anos, dá para se dizer. Ainda lá pros lados de Minas, e pros lado também dos anos 90’s, mas não tanto para o lado do Pop, tinha a turma do Tianastácia. Até hoje, só ouvi uma música dos caras, mas era muito boa: “Ouvi falar, loucura vem de berço...”.