quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Turminha de Brasília – parte II

La trinca del punk brazuca

Essa é a terceira banda que fecha a Turminha de Brasília na década de 1980. Embora não esqueçamos também da 69, cujo baterista foi meu professor de Jornalismo Militão Ricardo. Mas a Legião Urbana foi uma febre, um remoinho, um divisor de águas no rock brasileiro. Os anos 80 chegam a ser ruins de tão bons!

Um dia, meu primo Gui apareceu lá em casa com uma fita K7. Ele foi responsável por muitas das minhas descobertas musicais, pois o Gui gosta muito de música e é o típico garimpador de sons. Nesse dia, eu tinha nove anos. Lembro como se fosse hoje. Meu velho quarto, no velho toca fitas da estante. A música tinha uma melodia legal, tinha guitarra, e a letra era quase um RAP de tão enorme e com tantas palavras, além das rimas pouco óbvias. Me apaixonei.

E ainda falava palavrão! Coisa inédita, até então, para meus ouvidos bem comportados. Achei o máximo. Depois disso, muito eu pediria para meu primo colocar aquela fita do “João do Espírito Santo”. E ele, irritado, corrigia que o nome do cara era “João do Santo Cristo”, e que a música era Faroeste Caboclo. Foi assim que me apresentaram a Legião Urbana. Outra lembrança que tenho, também aos nove anos, na quarta séria, a professora levou a letra de Pais e Filhos.

“...Quero que saibas que me lembro
Queria até que pudesses me ver
És parte ainda do que me faz forte
Pra ser honesto, só um pouquinho infeliz...”

[Giz / Legião Urbana]

Ouvi muita Legião até os treze anos. Naquela fasezinha FDP pela qual a gente passa na adolescência. Dores-de-cotovelo, a possível separação dos amigos no Ensino Médio, tudo fazia com que as letras do Renato se encaixassem direitinho. Quantas vezes ouvi Vento no litoral, Índios, Theatro dos vampiros, Sereníssima, Hoje a noite não tem luar, Giz, Vamos fazer um filme, Eduardo e Mônica, Mais do mesmo, Meninos e meninas, Perfeição, Monte Castelo, Metal contra as nuvens... Aquelas tardes nubladas, aquele aperto no peito e um som da Legião Urbana.

Hoje, confesso que ouço pouco. E que até tenho medo de ouvir. Legião é triste. Me faz pensar em coisas tristes. Então, prefiro um Eduardo e Mônica de vez em quando, porque é mais feliz. Mas negar a importância da Legião – tanto para a minha vida quato para vida de milhares de jovens que viram em Renato uma espécie de “profeta” – é não reconhecer uma das principais bandas de rock and roll que este país já teve.

“Achei um 3x4 teu
E não quis acreditar
Que tinha sido há tanto tempo atrás...”

[Vamos fazer um filme / Legião Urbana]

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