quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Turminha de Brasília

La trinca del punk brazuca

Plebe Rude
A lembrança que tenho da Plebe Rude é de Até quando esperar tocando na madrugada, ou em uma noite de chuva. De resto, só o que li a respeito. Fui conhecer nos anos 2000, quando comecei a “estudar rock and roll”. Mas confesso que pouco conheço dos caras que afirmaram que O concreto já rachou.

Entretanto, na onda dos revivals oitentistas, o Capital Inicial ressurgiu das cinzas – ou da poeira – com mais energia do que nunca. Puxados por um Dinho de cabelicho arrepiado, os brasilienses ganharam as paradas com o hit Natasha nos início dos anos 2000. Então, eu fui saber que aquela era uma antiga banda dos anos 80, amigos da Plebe e da Legião Urbana.

"Com tanta riqueza por aí, onde é que está
Cadê sua fração..."
[Até quando esperar - Plebe Rude]
Comprei o acústico MTV deles – responsável pelo retorno dos Capitais Iniciais – e passava tardes ouvindo O mundo, Todas as noites, Primeiros erros, Tudo que vai, Independência, Cai a noite, Eu vou estar... Todas elas com seu significado.

Capital Inicial
"Todas as noites, são iguais
Os meninos satisfeitos
E as meninas querem mais..."
[Todas as noites - Capital Inicial]

Depois, começaram a surgir músicas novas: Quatro vezes você, Nunca disse adeus... Dessas duas, eu gosto. A terceira banda da trinca  del punk de Brasília não será retratada neste texto, pois ela merece um texto único, assim como é único o seu capítulo na história do rock brasileiro. Adivinha quem é?

Camisa de Vênus

Era o verdadeiro rock bandido. O tipo de banda que faz falta por esses dias de hoje. Além de rápido e direto, o Camisa tinha letras criativas e uma pegada rocka-punk-billy de não deixar ninguém parado.

Confesso que quando ouvi Eu não matei Joana D’Arc, não dei muita bola. Minha descoberta do Camisa de Vênus veio em um churrasco de domingo. Meu primo Júlio assumiu as pick-ups e largou a pedra O ponteiro tá subindo. Eu tinha uns 14 anos e o estrago estava feito.

Depois, Marcelo Nova começou a aparecer na MTV, e eu descobri a parceria dele com Raulzito. Sílvia, Hoje, Gothan City, É só o fim, Bete morreu... Todas na versão ao vivo no CD Plugado, que achei de barbada na loja de discos. Camisa de Vênus é rock puro. E faz falta.

"Olhei para o relógio: era uma da manhã
Bem no meio da dança, ela tirou o sutiã
Oh yeah! E eu pagando pra ver
E fazendo rock and roll até o amanhecer..."
[O ponteiro tá subindo - Camisa de Vênus]

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Biquíni Cavadão, Sempre Livre e Herva Doce



Biquíni Cavadão tem um nome estranho, mas nem só de nomes bonitos vive o rock and roll. Também temos os nomes originais e os mais improváveis são sempre os melhores. Entretanto, fui conhecer o Biquíni no início dos anos 2000, quando eles gravaram Múmias. Adoro a voz grave do vocalista. Também tem Carta aos missionários. Biquíni é uma banda de rock romance onde de vez em quanto saem uns versos de protesto político. Coisa que hoje faz falta.

“Bem aventurados sejam
Aqueles que amam essa desordem
Nós viemos a reboque
Esse mundo é um grande choque...”
[Múmias – Biquíni Cavadão]

Já as bandas “one hit” embalaram muitas discotheques. Foi o caso da Sempre Livre – formada apenas por mulheres - com o clássico Eu sou free, e dos caras bem ligados do Herva Doce, com Amante profissional. Não tinha peso de guitarra, mas tinha a maldade do rock and roll. Ambas eu conheci pela rádio Continetal.

“Só estudei em escola experimental
Meu pai era surfista profissional
Minha mãe fazia mapa astral legal
Minha mãe fazia mapa astral”
[Eu sou free – Sempre livre]

“Moreno alto, bonito e sensual
Talvez eu seja a solução pro seu problema...”
[Amante profissional – Herva Doce]

Gang 90 e Celso Blues boy

 Julio Barroso foi o cara que fez Perdidos na selva e só por isso já merecia um prêmio que a MTV não teve tempo de dar. Tanto a melodia quanto o arranjo – e principalmente a letra – colocam a canção entre as mais clássicas do BRock oitentista. Pena que, assim como Julio, a Gang 90 e As Absurdetes acabou cedo. Mais cedo do que deveria. Conheci Perdidos na selva com o Barão e só muito tempo depois, quando ganhei uma coletânea descobri a versão da Gang.

"...Quando o avião deu a pane
Eu já previa tudinho
Mim Tarzan, You Jane
Incendiando o mundo nesse matinho..."
[Perdidos na selva - Gang 90 e As Absurdetes]

Já Celso Blues Boy foi outra figura emblemática, não só do rock and roll, mas também do pai do rock, o bom e valho blues. Aumenta que isso aí é rock and roll é a minha pedra preferida. Uma letra criativa e uma porrada sonora. God save Blues Boy.

"Eu estava deitado, dormindo acordado
Sem ter nada o que fazer
Liguei o rádio, no meio da noite
O ritmo do som era pesado
Subi o volume e o vizinho gritou:
Aumenta que isso aí é rock and roll..."
[Aumenta que isso aí é rock and roll - Celso Blues Boy]

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Paralamas do Sucesso



Acho que a primeira que conheci foi Meu erro. Paralamas era mais uma daquelas bandas “comportadas” que demorei um pouco para assimilar. Mas quando descobri, passei a gostar muito. Acho que Expresso do oriente – que tem uma verão com Frejat cantando junto – fez toda a diferença. Ou pode ter sido Lanterna dos afogados.

Essa última, me lembra a praia e uma saudade que demorou a passar.  Acho que foi aí que comecei a gostar de Paralamas. Lanterna... também foi gravada pela Cássia Eller, e ficou ótima. E depois, em uma outra fase de mais saudades, veio Seguindo estrelas. Paralamas é a banda das minhas dores-de-cotovelo. 

Entretanto, guardo alegres momentos com Vital e sua moto, Óculos, La bella luna, O calibre, Caleidoscópio... Herbert é de uma genialidade incrível. Além de um exemplo de superação. E, para fechar, de certa forma, eles ainda foram co-responsáveis pelo “descobrimento” da Legião Urbana. Quer mais? São os Paralamas do Sucesso. E eras isso.

“...Uma noite longa pra uma vida curta
Mas já não me importa
Basta poder te ajudar
E são tantas marcas que já fazem parte
Do que eu sou agora
Mas ainda sei me virar...” 
[Lanterna dos afogados - Paralamas do Sucesso]

- Você lembra a primeira vez em que ouviu Paralamas do Sucesso?

Lobão, Blitz e Kid Abelha

Lobão é libriano. E fez Chorando no campo. Só isso é o suficiente para deixá-lo na calçada da fama do rock nacional. E ele também se chama “Lobão”, nome muito hard rock. E ele também fez Cena de cinema. Fui conhecer Lobão bem depois de descobrir o rock and roll. Apesar da figura polêmica e que adora palavras complicadas quando faz as vezes de entrevistador na MTV, Lobão faz um som bem legals.

"Tava queimando no meu carro a tal da gasolina
E, do meu lado, meu amor me avisou:
Vou sair de cena
Me deu um beijo na corrida, correndo ela sumiu
Desceu voando a escadaria do metrô:
Cena de cinema..."
[Cena de cinema - Lobão]

E, por falar em Lobão, antes de carreira solo, nosso canino segurava baquetas com o o pessoal da Blitz. Lobão foi baterista da banda carioca nas primeiras formações – antes de ser Lobão e os Ronaldos e antes de Ronaldo ir para a guerra. Blitz era uma espécie de Mamonas Oitentista. Faziam um rock brincalhão, mas com muita malícia nas letras e uma melodia pegajosa como chiclete Ping-Pong (mais oitentista impossível). Blitz aparecia no Vídeo Show, era rock bem comportado na sala de casa. E foi assim que eu conheci.

"...Ok, você venceu: batata frita
(...)
Tá tudo muito bom (bom!)
Tá tudo muito bem (bem!)
Mas realmente
Eu preferia que você estivesse nua..."
[Você não soube me amar - Blitz]

Já o Kid Abelha não entrou para minha estante como “rock”. Quando conheci, ainda pequena, me parecia muito mais pop. Com o tempo, passei a reconhecer as influências rockeiras nos Abóboras Selvagens e no comportamento “comportado” de Paula Toller. George Israel e seu saxofone é muito Kid Abelha, é muito anos 80. Adoro a participação de Paulinha Toller no Acústico MTV da titia Rita Lee, na faixa Desculpe o auê. Eu tive um sonho, Pintura Íntima, Lágrimas de chuva, Fixação, A fórmula do amor... Sem falar que no Kid ainda teve o Leoni, que depois fez Garotos e me fez descobrir que o mundo é lindo. E foi assim.

"...Eu vou contando as horas
E fico ouvindo passos
Quem sabe o fim da história
De mil e uma noites 
De suspense no meu quarto..."
[Lágrimas de chuva - Kid Abelha]

- Você lembra a primeira vez em que ouviu Lobão, Blitz ou Kid Abelha?

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Cazuza


É o meu preferido. Fica no mesmo degrauzinho de Raul Seixas, no topo da montanha. Não era só a jaqueta jeans e a faixa na cabeça. Não era apenas o signo do fogo e a defesa de “toda forma de amor”. Acontece que era rock and roll mesmo quando fazia bossa nova.

Conheci Cazuza através da minha mãe, que ouvia Continental e lá tocava Codinome Beija-flor. Exagerado foi a segunda pedra. Mas fui passar a amar o homem depois, aos 14 anos. Meu Deus! Como eu gostava doCazuza.

"Te pego na escola e encho a tua bola
Com todo o meu amor
Te levo pra festa e testo teu sexo
Com ar de professor
Faço promessas malucas
Tão curtas quanto um sonho bom
Se eu te escondo a verdade, baby,
É pra te proteger da solidão..."
[Faz parte do meu show - Cazuza]

Foi uma descoberta e tanto. Cazuza me fez entender que a vida podia ser linda, mesmo quando a gente nasce “do avesso”. Ele me ensinou a me aceitar como sou e também a cuidar de mim. Justamente por ele ser porra louca, me ensinou que todo excesso tem suas consequências, que a gente pode sofrer por amor e amar quem a gente quiser. Cazuza me ensinou que o amor é lindo. Cara, como eu gosto do Cazuza. E ele ainda fez parte do Barão Vermelho! Cazuza gostava de Lupicínio Rodrigues, de Cartola e de Rolling Stones.

Com a estréia do filme Cazuza – O tempo não para, o amor pelo exagerado aumentou mais ainda. Descobri toda aquelas músicas como Ponto Fraco, Down em mim... Ideologia, Só as mães são felizes, Mal nenhum, O nosso amor a gente inventa, Faz parte do meu show, Eu queria ter uma bomba... Tudo isso fazia muito sentido. Cazuza era meu parceiro de dor-de-cotovelo, mesmo que nunca tenhamos estado juntos. Eu e ele viajamos na nave espacial Colúmbia. Mas eu devia estar sóbria.

"...Da privada, eu vou dar com a minha cara
De panaca pintada no espelho
E me lembrar sorrindo que o banheiro
É a igreja de todos os bêbados..."
[Down em mim - Cazuza]

- Você lembra a primeira vez em que ouviu Cazuza?

Barão Vermelho



É disparada a minha banda preferida do Rock Brasileiro – em todas as épocas. Apesar de conhecer o Barão como deveria um pouco tarde, a voz de Frejat era recorrente nos churrascos em Canoas. Quando pequena, meu primo Júlio comprava pizza e colocava a versão dos Barões para Malandragem, dá um tempo, do Bezerra da Silva. Na sequência, vinha Perdidos na selva, também uma versão para o clássico da Gang 90 e As Absurdetes.

Mas, até então, Barão era Barão e Cazuza era Cazuza. Depois de um tempo, fui ouvir Cazuza como integrante do Barão. E foi quando ouvi a versão dos Barões para Jardins da Babilônia - da Rita Lee - que passei a prestar um pouco mais de atenção. Quando o sol bater na janela do seu quarto, da Legião Urbana. também ficou legal com eles. Resumindo, eu conheci o Barão, primeiro, pelos outros.

"...Saudações a quem tem coragem
Aos que estão aqui pra qualquer viagem
Não fique esperando a vida passar tão rápido
A felicidade é um estado imaginário..."
[Pense e Dance - Barão Vermelho]

Foi com o filme do Cazuza – através do qual passei a conhecer não só o Barão, mas também o exagerado poeta maldito – que o veneno começou a entrar nas veias. Lembro daquela fita K7 – sim, K7! – onde gravei um monte de músicas deles e andava com ela para cima e para baixo. Foi bem na época Rolling Stones. Um lado da fita era do Barão e o outro lado era dos Stones.

Meus bons amigos, Flores do mal, Bete Balanço, Pro dia nascer feliz, Agora tudo acabou, Quem me olha só, Guarda essa canção, O poeta está vivo, Pedra, flor e espinho, Por você, Puro Extasy, O tempo não pára, Pense e dance... Vieram todas juntas. Na época do filme do Cazuza, passei a conhecer as mais antigas, que para mim são as melhores, Down em mim, Conto de fadas, Você precisa é dar, Billy Negão, Bilhetinho azul, Rock N’ Geral... Full time of Red Barão!

"Rock N' Geral é até mais tarde
Sem hora marcada
Armando assim um carnaval full time
Rock N' Geral é bem alto
Pra se ouvir de qualquer nave..."
[Rock N' Geral - Barão Vermelho]

Comprei CD, livro, DVD... Virei fã do Barão. É uma das bandas do rock nacional que me arrependo de ter “encerrado suas atividades” antes que eu pudesse vê-la no palco. Barão Vermelho. Barão Vermelho. Cara, como eu gosto do Barão Vermelho.

- Você lembra a primeira vez em que ouviu Barão Vermelho?

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

IRA!



É uma banda com forte influência punk do Clash e que ousou também alguns experimentalismos. Teve um dos melhores guitarristas do BRock, senhor Edgar Scandurra, canhoto como Mr. Jimmy Hendrix. Scandurra toca sua guitarra verde sem inverter a posição original das cordas, ou seja, com as finas em cima e as mais espessas em baixo.

Acho que Envelheço na cidade foi a primeira que conheci. Mas a que mais me marcou, que ouvi em um dia de chuva no centro de Sapucaia do Sul, foi Vida Passageira. Foi no ano de 2000 para 2001 e até hoje lembro aquela feliz e confusa época do fim do Ensino Fundamental.

"...É como em um comercial de cigarros
Que a verdade se esquece com uns tragos
Sonho difícil de acordar
É quando os teus amigos te surpreendem
Deixando a vida de repente
E não se quer acreditar..."
[Vida Passageira - IRA!]

Núcleo base, É assim que nos querem, Vitrine viva, Flores em você... Todas essas conheci no Ao Vivo MTV da minha prima Rosângela, que continha também Envelheço na cidade e Vida passageira. Rubro Zorro eu descobri em um vinil, na casa de uma amiga em Montenegro, quando comprei um moletom do Doors, companheiro de aventuras.

"...As garotas desfilando 
E os rapazes a beber
Já não tenho a mesma idade
Não pertenço a ninguém..."
[Envelheço a cidade - IRA!]

Com o acústico, novas versões e novas canções. Poço de sensibilidade, Eu quero sempre mais, Pra ficar comigo (versão perfeita para Train in vain, do Clash), Por amor, Tanto quanto eu... IRA é uma explosão de puro rock em cima do palco. Pena que a falta de entendimento entre os integrantes tenha levado ao fim do grupo. Hoje, os quatro IRA’s seguiram seus rumos  e alguns em projetos solo. O CD Nasi e os Irmãos do Blues também vale muito apena.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

RPM


Foi um cometa loucura. Paulo Ricardo estilhaçou corações por onde passou nos anos 1980. Fez verdadeiras revoluções por minuto nos hormônios das RPM’etes.

Confesso que, a mim, o RPM não conseguiu atingir. Eles fizeram Rádio Pirata, Louras geladas e Olhar 43. E isso é um grande mérito. Mas ainda acho que havia sintetizadores demais. Mesmo assim, eu gosto. Azar.

O trabalho solo do Paulo Ricardo tem uma das canções mais bonitas que conheço, que é Dois. Até evito de ouvi-la, porque é rio de lágrimas na certa. Mas, pensando bem, o que seria dos anos 1980 sem os cabelos do Paulo Ricardo e sem os sintetizadores... Né?

 "...Disputar em cada frequência
um espaço nosso nessa decadência..."
[Rádio Pirata - RPM]

Ultraje a rigor

É uma das bandas mais debochadas da história. Uma espécie de “pré-mamonas”, aliando o bom humor e criatividade do vocalista Roger com o peso e a velocidade do Rock and roll. Mas confesso que demorei a descobrir o Ultraje. 

A primeira lembrança que tenho deles é com Nós vamos invadir sua praia. O clipe passava volta e meia na televisão. Mas foi com  Nada a declarar (tirei essa no violão) que passei a reparar mais nos cabeludos paulistas. Depois, veio Domingo, eu vou pra praia, em uma onda meio surf music, com o perdão do trocadilho. Ciúme é uma das melhores.

Na época do Acústico MTV – que reuniu todos os clássicos da banda em uma versão desplugada, mas muito rock and roll – eu conheci mais músicas. Independente futebol clube, por exemplo. Ultraje tem uma coisa rockabilly que eu gosto muito. Às vezes, sinto falta daquele dedo mínimo sacana no meio do riff nas bandas atuais. Isso é rock puro. A la Chuck Berry total. Ultraje é massa: é rockbilly, protesto, sacanagem... Tudo com muito senso sendo de humor e criatividade. E o melhor: com três acordes.

"...Esse nosso papo anda tão furado
É baixaria, dor de corno 
E bunda pra todo lado..."
[Nada a declarar - Ultrage a Rigor]

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Titãs


Na década de 1980, o rock and roll brasileiro começou a ficar mais “pop”. Foi o que chamaram de “boom do rock brasileiro”.

Nossa terrinha recebia influências do punk, do hard, da new wave... E uma banda que misturou um pouco de punk com um muito de BRock foram os Titãs. Uma banda que, pelo número de integrantes, mais parecia de pagode. A formação já teve nove, oito, sete integrantes. Todos acomodados no mesmo palco. E o melhor de tudo: se entendiam e criavam, mesmo com tantas vozes disputando espaço no estúdio.

Quem me apresentou os Titãs foi minha prima Rosângela. Na época do lançamento do Acústico MTV – quando a MTV Brasil ainda engatinhava na versão desplugada – minha prima adquiriu um CD e eu ouvia quando ela colocava no aparelho de som enquanto limpava a casa. Foi ali que conheci Pra dizer adeus, Marvin, Os cegos do castelo, O pulso.

“Olhei até ficar cansado
de ver os meus olhos no espelho
Chorei por ter despedaçado
as flores que estão no canteiro...”
[Flores / Titãs]

Quando aprendi a tocar violão, Homem Primata era sempre recorrente no “repertório”. A versão para Aluga-se, de Raul Seixas, também ficou ótima com a banda. E depois veio a fase de “volta ao mainstream”, quando o álbum A melhor banda de todos os tempos, da última semana – último com a participação de Nando Reis - emplacou o hit Epitáfio. Eu gosto muito de Flores, Go back, Comida, Um morte de férias, Bichos escrotos, Polícia... 

Os Titãs foram uma porrada sonora, uma afronta aos comportados na sala dos anos 1980. Hoje, eles estão mais “comportados”, mas não em um sentido pejorativo. Diria que amadureceram musicalmente e revelaram ao mundo talentos como Arnaldo Antunes e Nando Reis, com carreiras-solo na música, e Paulo Miklos, que entrou para o cinema brasileiro. Entretanto, Tony, Ciro, Branco, Sérgio e todos os demais membros da família Titãs nunca deixaram a desejar em seus trabalhos. Vida longa aos Titãs!

“Mas certo dia deu-se um caso
E ele embarcou num disco
E foi levado pra bem longe
Do Asterisco em que vivemos...”
[Daqui pra lá / Titãs]

- Você lembra a primeira vez em que ouviu Titãs?