sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Raulzito

Sempre gostei de Raul. E observo o quanto ele faz sucesso com as crianças – de pais rockeiros  obviamente. Meus primos, desde pequenos, gostavam de Raul também. A primeira música de que me lembro foi Gitã. Ouvia no rádio da minha dinda, em um vinil que continha a versão em inglês. E eu ficava ali tentando adivinhar qual parte da música era aquela.

Depois, a minha prima Rosângela comprou uma coletânea dele. E foi então que conheci Medo da chuva, Sociedade Alternativa, Mosca na sopa, Eu nasci há dez mil anos atrás, Al Capone, Metrô linha 743, Let me sing, Eu também vou reclamar, Tu és o M.D.C da minha vida, Como vovó já dizia e Não pare na pista. Quando entrei para aula de violão, o profe me passou a cifra de Tente outra vez.

Mas a minha relação forte com Raul Seixas veio depois, lá pelos 15 para 16 anos. Como meu primo Yago adorava o Maluco Beleza, meu tios compravam CD’s do Raulzito, que o Yago trazia para ouvirmos aqui em casa. Foi assim que descobri outras pedras do meu rockeiro setentista preferido. Então, comecei a vasculhar tudo dele: baixei tudo que havia na internet e conheci muitas outras músicas.

"Por muito tempo, eu sentia vergonha
Das coisas que eu sinto
E, desfarçando, escrevia difícil
Só pra complicar"

[Eu quero mesmo - Raul Seixas]

Essa coisa de protesto – presente em quase todas as letras – me chamava muita atenção. Porque, assim como Raul, eu também tinha minhas dúvidas, meus medos e meus questionamentos. Quando vi que aquele cara não se enquadrava no mundo – piscina, carro, jornal, tobogã, eu acho tudo isso um saco – eu percebi que eu não era o único anjo torto no mundo. Na época, eu estava muito sozinha, com muito medo da vida. E Raul me fazia companhia.

Adorava ouvir O dia em que a Terra parou, S.O.S, Capim Guiné, Judas, Eu quero mesmo, Você, Quando acabar o maluco sou eu, Tapanacara, Rockixe, Check-up, Água viva, A hora do trem passar, É fim de mês, Se o rádio não toca, Baby, Pagando brabo, Mas I Love you, Caowboy fora da lei, Rock das aranha, Meu amigo Pedro... Raul foi um grande amigo. Sempre será um grande amigo. Toca Raul!

"Tinha um junkie se tremendo pelos cantos
Um empresário que jurava que era santo
Uma tiete que queria um qualquer
E um sapatão que azarava a minha mulher"
[Muita estrela, pouca constelação - Raul Seixas / Marcelo Nova]

- Você lembra a primeira vez em que ouviu Raul Seixas?

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