terça-feira, 27 de abril de 2010

The Doors

Dez reais foi o que meu amigo da loja de CD’s me cobrou por uma coletânea do Doors que estava – segundo ele – por vinte e cinco. “Pra você, eu faço dez”. Pode até ter sido uma tática de vendedor, mas não deixou de ser um bom negócio. Isso por volta de 2002, 2003...

Quem gosta mesmo de The Doors é meu tio Jairo. Aliás, ele gosta de todas as bandas que são meio puxadas para o progressivo. Talvez por ter passado a infância e início da adolescência no final dos anos 1970. Foi o tio quem me apresentou Jim Morrison e sua turma. Na época, meu primo Yago tinha uns quatro anos e já berrava alguns versos que diziam “get together one more time”. Era a faixa quatro de um CD do tio, ainda lembro.

Foi lendo o Movimentos Culturais de Juventude que aprendi um pouco sobre os Doors. E, lá pelos 15 anos, quando comecei a buscar as pedras antigas do rock and roll, o Luciano – da loja de CD’s – me conseguiu aquela coletânea. Light my fire eu já conhecia de ouvir no rádio.

Havia duas músicas que eu queria encontrar entre as faixas do CD: uma era aquela faixa quatro que eu e o Yago escutávamos. A outra era uma que ouvi no rádio e, quando o locutor anunciou que era The Doors, tive a boa sacada de apertar o “rec” do toca fitas. Era uma música que tinha um “lah, lah, lah – lah, lah, lah laah”. Um piano bem Doors e a voz grave do Jim. Uma melodia linda. Nenhuma dessas músicas estavam na coletânea.

Entretanto, tinha L.A. Woman, When the music’s over, Riders on the storm... E a minha preferida: Break on through. Roadhouse blues e The End também estavam lá.

Como sou meio imune ao rock progressivo, a única coisa que não gosto muito no Doors é que as canções, apesar de boas, são intermináveis! Mas era uma característica do gênero psicodélico do qual a banda fazia parte. Eu é que não sou muito adepta a solos sem fim. Ainda tenho essa coisa meio punk.

The Doors é uma banda de músicas tristes. Pelo menos, eu acho. No entanto, a performance do Jim é uma coisa de louco! Além de deixar as groupies babando, o cara ainda tem uma extensão vocal e presença de palco fora do sério! E é por isso que hoje nosso post foi sobre The Doors. Porque eles são foda!

*Você lembra da primeira vez em que ouviu The Doors?

sábado, 24 de abril de 2010

The Who


Os malvados

Foi a banda mais explosiva – no sentido literal da palavra – da década de 1960. O primeiro grupo de rock a utilizar a triste performance de quebrar a guitarra no palco. Digo “triste” porque eu teria pena de quebrar uma guitarra, ou qualquer outro instrumento. A verdade é que eles tinham a energia e a urgência do rock and roll. Direto e agora, esse era o The Who.

Conheci a história do Who lendo uma obra prima chamada Movimentos Culturais de Juventude. Era um livro que tinha na biblioteca da escola Santo Inácio, onde fiz o Ensino Fundamental. Quem indicou foi minha amiga Rê, quando estávamos na oitava série. Entre outras coisas, o livro contava a história do rock and roll. E lá estava o Who.

Porém, a sonoridade da banda eu só fui conhecer através de outro caras, muitos anos depois. Quando passava o clipe dos californianos do Jet, Are you gonna bem y girl?, meu tio fez o seguinte comentário: “parece The Who”. E aí eu fui atrás.


My Generation foi a primeira pedra. Depois, em uma coletânea que comprei – com os clássicos da “Maldita”, a rádio Fluminense AM 540, do Rio de Janeiro –, descobri Magic Bus. Who are you veio na sequência. A guitarra do Who era malvada. Uma das primeiras guitarras malvadas da década de muitas outras malvadezas. Foi assim que eu conheci The Who. E tava feita a maldade. 

*Você lembra a primeira vez em que ouviu The Who???

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Rolling Stones

It’s only rock and roll, but we like it!

Na modesta opinião do Rock História, os Rolling Stones são a melhor banda de rock dos anos 60, 70, 80, 90, 2000... E para toda a eternidade! Isso é opinião pessoalíssima, lógico, mas ninguém conseguiu ser tão fiel à sonoridade do rock and roll – e me refiro ao rock puro – como os Stones.

Era uma vez um estudante de Economia – Sim, Economia! – chamado Mick Jagger; e um estudante de Arte chamado Keith Richard. Ambos, assim como essa que vos escreve, eram apaixonados por Chuck Berry. Eles começaram com uma banda chamada Little Boy Blue and The Blue Boys. Foi com a chegada do guitarrista Brian Jones, em 1962, que o nome da banda virou “Rolling Stones”.


E como eu conheci os Stones? Conheci de ver meus tios e primos ouvindo. Mas até aí, para mim, eles eram apenas uma banda de rock. Só fui descobrir os Rolling Stones e toda a grandeza dos caras no ano de 2003, quando tinha 15 para 16 anos. Eu estava em função de conhecer as bandas clássicas e me deparei, na loja de variedades da esquina, com uma coletânea pirata dos Stones.

Na hora, achei que fosse uma boa oportunidade de conhecer melhor o som dos caras. Já conhecia Star me up há muito tempo. E me apaixonei “à primeira ouvida” por Mixed Emotions e Sympathy for the devil. Praticamente enlouquecia ouvindo Let’s spend the night together.

Na sequência, fiquei doida por Under my thumb, It’s only rock and roll, She’s so cold e Jumpin’ Jack Flash – essa eu já conhecia na versão dos Stone Temple Pilots. Como não tinha um diskman, gravei minhas preferidas em uma fita K7, que eu quase gastei de tanto ouvir. Like a rolling stone, do Dylan, também ficou perfeita com os Stones. Paint it black é incomparável e Angie – tema da engraçada história envolvendo David Bowie e a sua esposa – é muito linda.

Não há como ficar imune à malandragem de Keith, à presença de palco do Jagger, à simplicidade do Ron Wood e, pricipalmente, à calma de Charlie Watts. É incrível! Os demais Stones se quebrando no palco, fazendo o rock rolar direto e Mr. Watts tocando rock and roll com a classe do jazz!

Ele poderia destruir a bateria! Pô, ele é o baterista dos Stones! Mas não, Charlie toca como um gentleman, um verdadeiro lorde inglês. Não é para menos. Ele é o baterista da melhor banda de rock and roll do mundo.

*Você lembra da primeira vez em que ouviu os Stones?

sexta-feira, 16 de abril de 2010

The Beatles

Los cuatro guapos de Liverpool



Sem dúvida, os caras são uma das melhores bandas dos anos 60 e, seguramente, de todo o rock and roll. Eu confesso que deveria gostar e conhecer bem mais os Beatles. Mas o fato é que ainda não os “descobri” como deveria. Talvez se eu tivesse vivido na década de 60 e pego toda a revolução musical que eles fizeram... Bom, nada justifica eu não idolatrar os Beatles, mas aqui vai a nossa história.

Conheci os Beatles com Twist and shout. Na época, eu não sabia que aquilo era rock. Depois de muito tempo, You're gonna loose that girl tocou em um programa da rádio Atlântida, no Dia Mundial do Rock – 13 de Julho. Lembro de tê-la gravado em uma fita k7. Penny Lane também é bacana pela melodia. E Here comes the sun é uma das mais lindas que eles fizeram.

Let it be me lembra a Lisi e a época em que eu revisei a matéria dela sobre bandas gaúchas, na revista do IPA. Ela abria o texto com os versos da música e, na época, era férias e eu não a via todos os dias na aula. Ouvir Let it be sempre me faz lembrar dela. Na verdade, gosto dos Beatles pelas lembranças que eles me trazem, de pessoas que eu gosto muito: a Lisi, a Cacá e a Jackie.

Porém, nenhuma das canções dos Beatles – digo com a palavra de quem pouco conhece de Beatles e tem acara de pau de se dizer “rock and roll” – nenhuma se compara a Helter Skelter. Essa é uma porrada sonora que eu coloco entre as melhores do rock and roll. A primeira vez que a ouvi foi em uma versão do U2, no DVD Rattle and hum – um dos melhores da banda irlandesa!

Não é que eu odeie, ou não goste dos Beatles – seria até crime dizer uma coisa dessas em um blog que se chama “Rock História”. Apenas acontece que as músicas deles nunca marcaram na minha vida como as outras bandas que conheci. E Deus sabe o quanto eu queria ter sido louca pelos Beatles.

John Lennon e eu somos do mesmo signo – de libra. E por isso eu o acho gente fina, apesar das loucuras com Yoko Ono! A carreira solo do John, entre os demais integrantes, é a minha preferida. Já o Paul, apesar de um grande gênio, capaz de criar melodias lindas, não me cativou com a carreira solo. O trabalho dos outros dois integrantes não conheço muito. A verdade é que eu gosto mesmo é dos Stones. Disparado!



*Você lembra da primeira vez que ouviu Beatles?

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Bob Dylan


Com 19 anos, em 1961, Robert Zimmerman chegou ao Greenwich Village, em Manhatan. O bairro era onde se concentrava a cena folk dos Estados Unidos. Nessa época, Robert já usava o nome artístico pelo qual ficaria conhecido mundialmente: Bob Dylan.

Foi em setembro do mesmo ano, após receber críticas positivas no The New York Times, que Dylan atraiu a atenção do produtor John Hammond, que produziu o primeiro disco do cantor de folk rock mais famoso do mundo – na modesta opinião do Rock História.

E como eu fui conhecer o Bob Dylan? Outra vez, na voz de um outro artista: Humberto Gessinger, vocalista do Engenheiros do Hawaii. Porém, quando ouvi Negro amor pela primeira vez, nem desconfiava que ela fosse a versão de uma música desse tal de Bob Dylan, que eu conhecia menos ainda. Outra lembrança é de quando a MTV promoveu um programa de debate sobre artistas novos – de 2000 em diante – e os dinossauros do rock and roll. Um dos convidados não parava de se referir a “Bob Dylan, cara”.

No entanto, só fui conhecer o cara através do meu primo Gui. Ele apareceu lá em casa com uma gravação de Blowing in the wind. Além de a letra ser bonita – naquela época, meu inglês já era “razoável” –, eu gostei da melodia, da voz do Dylan – embora ele seja meio “desprovido” de extensão vocal – e, principalmente, daquela harmônica que ele usa entre os versos.

Para mim, a melhor música de Bob Dylan foi a segunda que entrou na minha vida, que mais uma vez eu conheci na voz de um outro cara: Sir Mick Jagger. Like a Rolling Stone é uma das melhores não apenas do Dylan, mas do rock and roll em geral. Bob Dylan, para mim, é uma incógnita: ele canta estranho, de uma forma difícil de acompanhar – tem um tempo só dele! – mas é um grande cantor! Além de um ótimo instrumentista, que toca um violão como ninguém. E foi por isso que ele ganhou esse texto: porque eu gosto de Bob Dylan.



*Você lembra da primeira vez que ouviu Bob Dylan?

terça-feira, 13 de abril de 2010

Little Richard, Los Lobos, Gene Vincent, Roy Orbison e Carl Perkins


Cinco feras

Assim como o Rock História é um veículo para falar dos meus conhecimentos musicais, também pode servir para assumir algumas das minhas ignorâncias sobre música. E foi por isto que agrupei esses quatro cantores no mesmo texto: porque sei muito pouco sobre eles.

Little Richard era da ala black do rock and roll – a minha preferida, diga-se de passagem, sem nenhuma pretensão racista em relação à turma dos brancos. E ele gravou Tutti-Frutti, um dos mais balançantes rockabillies de todos os tempos. Foi em uma coletânea dos anos 50, da minha amiga Cacá, onde me deparei com a música pela primeira vez. E me apaixonei. No mesmo CD, vinha La Bamba, de Los Lobos. Mas esse espanhol rock eu já conhecia de ouvir na rádio Continental desde muito pequena.

Gene Vincent foi outro cara que eu conheci na voz do baiano Marcelo Nova, vocalista do Camisa de Vênus. Em mais um medley de um CD ao vivo do Camisa, ele atacava com o clássico de Vincent, Be-bop-a-lulla. E, mais uma vez, posso dizer que a versão dos baianos é a minha preferida. A versão de Vincent era bem mais relax.

Roy Orbinson
Roy Orbison - "The Big O" - eu também já conhecia há tempos. Pretty Womam é um clássico e todo mundo já ouviu algum dia. Só que, quando eu ouvi pela primeira vez – talvez na Continental, talvez no filme Uma linda Mulher – eu não sabia que aquilo era rock and roll. Mas era. E muito. Uma vez, cheguei a tirá-la no violão. E, há pouco tempo, em uma ida ao bar Opinião, em Porto Alegre, a banda Street Flash tocou Pretty Womam. Uma das melhores versões que já uvi.

Carl Perkins. Bom, ele fez Blue Suede Shoes. Precisa dizer mais alguma coisa? É uma das músicas com mais “pimenta malagueta” do rock and roll, e que foi eternizada na voz do Rei do Rock, Mr. Elvis Presley. A primeira vez que a ouvi foi na época em que uma gravadora lançou duas coletâneas de Presley e as músicas do rei começaram a tocar nas rádios em novas versões. Blue Suede Shoes tem aquela paradinha clássica antes de cair no segundo acorde: mais rock impossível.


*Você lembra da primeira vez que ouviu esses caras? Conta aí!

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Jerry Lee Lewis




Ele simplesmente gravou Great balls os fire. Não precisava de mais nada. No entanto, ainda gravou outro clássico, Whole lotta shakin’ going on. Porém, a cerreira de Lewis foi meteórica: foi de 1957 a 1958, quando ele casou-se com a sobrinha de 13 anos e o escândalo fez com que fosse cancelada uma turnê na Inglaterra. Depois disso, Lewis desapareceu. Um escândalo desses não era permitido na época. Nem mesmo para um astro do rock and roll.

A primeira vez que ouvi Great balls of fire foi em uma cena do filme Top Gun – Ases Indomáveis, em que o ator a tocava ao piano, bem ao estilo Lewis. E novamente eu me apaixonei. Esse estilo puxado para o rockabilly sempre me chamou atenção. É uma coisa tão empolgante, uma junção tão perfeita de apenas três acordes que nem parece verdade.

Whole lotta shakin’ going on é boa, mas Great balls of fire é minha eterna preferida. Whole… eu conheci na voz de um baiano chamado Marcelo Nova, eterno vocalista do Camisa de Vênus. Eu tinha comprado um CD ao vivo, uma espécie de coletânea do Camisa. E lá pelas tantas, em um medley, Marcelo Nova ataca com o clássico de Lewis. Tempos depois, achei uma coletânea do Jerry Lee Lewis na promoção, por R$5! A essa altura, ninguém mais se interessava pela música dos anos 50, exceto eu e demais aficcinados. E foi assim que eu conheci o Jerry.

*Você lembra da primeira vez em que ouviu Jerry Lee Lewis? 

God Chuck Berry



Conhecer Chuck Berry foi mais um dos casos em que um fato puxou o outro. E tenho notado que foi assim com todos os cantores dos anos 1950. Mais uma vez, eu conheci o artista como referência de outro artista. A música era Johnny B. Goode, na versão do grande guitarrista de hard blues Johnny Winter. E como eu fui chegar ao Johnny Winter, que é bem menos conhecido que Chuck Berry? Foi mais ou menos assim...

Novamente, meu tio – apaixonado por blues e solos de guitarra – me apresentou a um CD do Winter. Nessa época, meu primo Yago não devia ter mais do que quatro anos e eu uns 13. E nós dois devorávamos as faixas de Winter, com sua guitarra malvada. E foi então que me apaixonei por Johnny B. Goode e fui atrás do gênio que criou aquela porrada sonora. E foi aí que eu conheci God Chuck Berry.

Na minha modesta opinião, daquela trupe dos anos 50 – contando até mesmo com Elvis Presley – Chuck Berry era o melhor. Essa afirmação pode gerar pancadaria entre os críticos, mas, para mim, Chuck Berry foi o cara que melhor traduziu a expressão “rock and roll”. Porque ele realmente rolava as pedras com seu rock bandido. Era rock and roll no talo, sem frescura, com a malvadeza – essa no bom sentido – dos acordes da guitarra. Sem falar na presença de palco. Berry tinha aquele sorriso irônico e falava através da guitarra. Por isso, para mim, ele é “God” Chuck Berry.

Uma das primeiras músicas de Berry a entrar nas paradas foi Maybellene. Na sequência, vieram Roll over Bethoven e Sweet Little Sixteen. My ding-a-ling eu ouvi pela primeira vez no rádio. A Kátia Sumam, na época em que trabalhava na rádio Ipanema, no horário do meio dia, tocou a faixa. Gostei da música de cara. E depois disso nunca mais ouvi. Preciso de um disco do Chuck Berry!

Sweet Little sixteen me pegou tão de jeito que fui obrigada a tirá-la no violão. Mas isso foi muitos anos depois de conhecer Chuck Berry. Até porque conheci a música primeiro com outro fera chamado Jerry Lee Lewis.

Eu estava à cata de CD’s de artistas dos anos 50 quando me deparei com uma coletânea original do mestre Lewis por médicos R$5! Foi aí que conheci Sweet little sixteen, na versão dele. Mas lógico que prefiro a de Chuck! Segundo Kid Vinil – vocalista do grupo oitentista Magazine e estudioso do rock and roll, foi Chuck Berry quem inventou o rock and roll em 1955. Coube a Elvis, o Rei do Rock, apenas popularizá-lo. Então, é ou não é mesmo “God” Chuck Berry?

*Você lembra quando e como conheceu Chuck Berry?

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Mr. Elvis Presley


Elvis divide com Bill Haley o posto da primeira gravação de rock – embora haja registro de gravações anteriores, mas que não ficaram mundialmente conhecidas. Ambos gravaram um rock pela primeira vez em 1954. A diferença é que Elvis virou o Rei do Rock e popularizou o estilo rockabilly pelo mundo. Se hoje usamos jaquetas de couro e calça jeans, foi porque esses caras começaram a usar na década de 1950.

Depois de ficar carimbado no rock and roll, Elvis foi suavisando o estilo, até cantar músicas doces e apaixonadas como “Love-me tender”. Com isso, o cara virou febre não apenas dos adolescentes da época, mas também de suas mães e avós. Ficou popular e conhecido no mundo inteiro. E foi assim que eu devo tê-lo ouvido pela primeira vez: em uma rádio que talvez nem fosse de rock. Todo mundo conhece o Rei do Rock, mas muitos não lembram quando o viram pela primeira vez. Eu sou uma dessas pessoas. Quando nasci, ele já era rei.

Outra vez, foi Raul Seixas quem me puxou para os anos 1950. Elvis era referência de Raulzito e eu devo ter ido atrás. Apesar de ser uma das figuras mais importantes da música, ainda conheço pouco de Elvis. Sei as canções que tocam mais. Mas admiro pelo talento. O cara é o rei do Rock e ponto.

No ano de 2002 ou 2003, uma gravadora lançou duas coletâneas, com umas 30 músicas do Presley cada uma. Com o lançamento, algumas faixas do rei passaram a circular novamente pelas rádios, como é o caso de Burning love e Blue suede shoes (que é do Carl Perkins, mas ele gravou). E Jailhouse Rock eu conheci na voz do Raulzito, assim como Blue Moon of Kentucky.

A Cacá, minha amiga e colega de aula, comprou uma dessas coletâneas. Ela me emprestou para ouvir. É com certa vergonha que eu digo que, apesar de reconhecer a importância do Elvis, não sou tão louca por ele como deveria ser. Adoro, acho show de bola, mas não tenho o mesmo fanatismo que o Raul tinha, por exemplo. Mas ele é o Rei do Rock e aqui está o relato de como nos conhecemos. Sim, eu conheço o Elvis!

*Você lembra da primeira vez que ouviu Elvis? Conta pra nós!

Bill Haley e o Cometa Rock and Roll

Bill Haley era um trintão, assim meio gordinho. Não tinha a rebeldia de Chuck Berry nem o sex appeal de Elvis Presley. No entanto, ele teve a honra de entrar para história da música ao gravar Rock around the clock, o primeiro rock and roll a estourar nas paradas. A música foi trilha do filme Blackboard Jungle (Sementes da Violência, na versão em português) e causou estardalhaços nos cinemas norteamericanos. A plateia literalmente enlouquecia quando tocava a música, chegando até mesmo a quebrar poltronas.

Em 1954, quando Haley gravou a canção, eu não existia. Nem mesmo a minha mãe existia. Apenas existia a minha vó, mas ela nunca soube da revolução que aconteceu naquele ano. Talvez, para ela, 1954 lembre o suicídio de Vargas, quando muito. E como eu, após tantos anos conheci Bill Haley? É o que vamos contar agora.

Eu costumo dizer que uma coisa puxa a outra. Existe uma coisa no rock and roll chamada “referência”. Qualquer artista, por mais criativo que seja, sempre se inspira em um outro artista. Quando você gosta de um cantor e descobre as referências dele, é natural que você também queira conhecê-las.

A música Rock around the clock apareceu, para mim, a primeira vez na voz de um baiano chamado Raul Santos Seixas, ou Maluco Beleza, como queiram. Meu tio, que era fã de Raul, tinha um disco do Raul ao vivo. Era a gravação de um show, que saiu junto com o jornal Zero Hora, de Porto Alegre. A faixa onze era Rock around the clock. A versão de Haley eu fui ouvir tempos depois. E confesso que a versão ao vivo com Raulzito é a minha preferida, embora a de Haley tenha sido bem mais importante para o rock.

Se eu conheço alguma outra música de Bill Haley? Nem mesmo uma introdução. Na verdade, creio que, fora os aficcionados, poucos conheçam. Até mesmo Rock around the clock é desconhecida de muitas pessoas. O fato é que ela foi o primeiro rock de sucesso e começou a revolução musical que hoje, mais de 50 anos depois, estamos retratando no blogs. E foi assim.

*Você lembra da primeira vez que ouviu Bill Haley? Conta aí!

Por que Rock História?



Essa semana, me veio a ideia de criar o blog. Estava na casa da minha tia Eva, em Canoas, lendo o Almanaque do Rock – escrito pelo Kid Vinil – quando me bateu os puta-merdas.

O Rock História fala da minha história em relação ao rock and roll. Aqui, vou trazer o relato de como eu conheci cada banda, de como esse som/estilo/filosofia de vida entrou na minha casa, me pegou pelo colarinho e perguntou “hey, garota, como você conseguiu viver tanto tempo sem mim?”.

A ideia pode ser meio maluca, mas quer coisa mais insana do que o rock and roll? Acredito que o Rock História seja uma das perninhas do Asterisco Rock and Roll, meu blog de farofa, sacanagem e rock and roll em quadrinhos. No entanto, no Asterisco, “música” era apenas uma das editorias, não sendo possível que eu me estendesse muito.

Já o Rock História é onde eu posso me aprofundar mais nessa viagem, contando como cada banda, cada cantor de rock bandido entrou para a minha estante de CD’s. É uma página para quem gosta de música. Espero que vocês curtam a viagem tanto quanto eu. E não esqueça de comentar e dividir conosco como cada uma das bandas entrou na sua vida! Vale elogiar, xingar, gritar que Beatles é melhor do que Stones, vale tudo! Porque “agora, o rock and roll vai rolar e é direto”, como diria Roberto Frejat, eterno guitarrista do Barão Vermelho.

Para começo de conversa...


Como começou esse meu negócio de rock and roll


Talvez, uma das palavras menos associadas ao rock seja “família”. Ou até pode ser que seja, mas, na lista, ela virá bem depois de transgressão, rebeldia, sexo, drogas, música, guitarra... No entanto, se fosse para criar uma metáfora de como o tal de rock and roll entrou na minha vida, eu começaria com uma história assim: “era uma vez um almoço de domingo, onde o convidado se chamava rock and roll”.

Porém, nessa época, em que minha prima limpava a casa ouvindo Rita Lee, Barão Vermelho e Raul Seixas, eu não sabia que aquilo era rock. Antes de tudo, era música. Música boa, mas apenas isso. As primeiras vezes em que ouvi foram na casa dos meus primos. Agora, se fosse para criar uma metáfora para explicar como comecei a amar e entender de rock and roll, aí a história teria de começar assim: “era uma vez, no pátio da escola, um rádio na educação física”.

Foi no colégio – ou mais precisamente nas aulas de educação física em dias de chuva – que o tal de rock and roll me pegou pelo colarinho da camisa, me colocou contra a parede e perguntou “Hey, garota, como você pôde viver até aqui sem mim?”. Sempre que chovia, o professor Marco levava jogos e o rádio para a sala de aula, porque não poderíamos jogar bola na rua. E foi aí que o Jean Carlo, meu colega da sexta série, sintonizou The kids aren’t allright, do Offspring. Nesse dia, fui apresentada às guitarras.

Claro que eu já conhecia rock and roll. Sempre gostei de Raul, Titãs, Legião Urbana... Mas, até então, era algo bem superficial. A partir daquele dia de chuva, meu dial começou a procurar as frequências que tivessem som de guitarra. Bem na época, os Raimundos estouravam com o álbum Só no forevis, que tinha Mulher de Fases como música de trabalho. Foi amor à primeira vista. Tendo guitarra, eu ouvia qualquer coisa. O negócio era fazer barulho.

Depois disso, com o passar do tempo, fui buscando saber da história do tal de rock and roll. E foi ao descobrir o que veio antes da guitarra distorcida do Offspring que eu me apaixonei ainda mais pelo ritmo que revolucionou e continua a revolucionar o mundo. E é a partir daqui que a nossa Rock História começa. Are you ready, baby?

*Você lembra de quando e como conheceu o rock and roll? Comente e conte para nós!